Brasileiro abraça de vez novas tecnologias e aquece mercado de startups

Hábito de usar smartphone pode impulsionar startups no Brasil.

28/03/2019

Sempre que colocado frente à uma nova tecnologia, o brasileiro pareceu assimilar a inovação da melhor maneira possível. Foi assim com a popularização da internet e das redes sociais e hoje somos o segundo país que mais usa o Instagram e temos mais de 127 milhões de usuários mensais no Facebook. A rápida (e intensa) adesão vem desde a época de scraps e depoimentos do Orkut e torna os brasileiros prontos para a próxima tecnologia que virá. Essa facilidade em implementar apps, redes sociais e outras inovações em nossas vidas torna o Brasil atrativo para empreendedores e startups, criando uma maturidade do mercado brasileiro em relação a essas novas empresas.

Segundo a Associação Brasileira de Startups, há mais de 5 mil startups cadastradas no Brasil. O número parece tímido, mas há seis anos havia metade disso. E, segundo a própria ABStartups, podem existir entre 10 e 15 mil startups no total, mas nem todas estão totalmente regulamentadas ainda — isso é, ainda não tem CNPJ.

Com tantas ideias para serem validadas, o país reúne diferentes tipos de empreendedores. São mais de 27 milhões de pessoas envolvidas no país em algum negócio próprio. Somos o terceiro país com empreendedores do mundo, atrás de China e Estados Unidos.

Startups em todos os cantos

A tal ambição brasileira criou, aos poucos, uma série de pólos tecnológicos no país. Há alguns mais tradicionais e antigos, como o Porto Digital em Recife, e outros mais recentes e não param de aumentar, como o Potato Valley, em Pinheiros, São Paulo. O Porto Digital é um dos mais antigos e nasceu por volta dos anos 2000. A iniciativa nasceu na Universidade Federal de Pernambuco, em 1996. Ali, nasceu um ambiente de inovação no Brasil: hoje são mais de 8,5 mil trabalhadores e um faturamento que ultrapassa 1 bilhão. A maior parte das startups e empresas são de TI, enquanto outra parte significativa lida com economia criativa.

Se o Porto Digital é um dos mais antigos, o San Pedro Valley surge como o de maior importância nos últimos anos. O San Pedro Valley surgiu entre 2009 e 2010. No começo, era apenas a reunião de algumas startups de Belo Horizonte para tentar entender o rumo do empreendedorismo no Brasil. Hoje já há mais de 300 startups e 2000 profissionais na região, que já lançou startups importantes como Meliuz e Samba Tech.

O já citado Potato Valley ainda engatinha em relação a outros pólos, mas tem se mostrado valioso: já são algumas dezenas de empresas próximas ao Largo da Batata, em Pinheiros, São Paulo, e no ano de 2019 devem surgir novos negócios.

Brasil serve de laboratório para grandes players

A popularização de smartphones e o hábito rotineiro do brasileiro em utilizar o celular a todo momento torna o país uma mina de ouro para alguns players que querem expandir os seus negócios e validar serviços em outros locais. Um dos cases mais relevantes é o do Uber: a empresa chegou ao Brasil em 2014 e, desde então, já foram mais de 1 bilhão de corridas, tornando o país o segundo que mais utiliza o app, segundo divulgou a própria Uber em 2018. A nação que é mais adepta do Uber é os EUA, onde nasceu o aplicativo.

Um exemplo mais fresco à mente é o do mercado de patinetes elétricos. A Grin, hoje presente nas principais capitais do país, é uma startup originalmente mexicana e que fez uma fusão estratégica com a brasileira Ride. Além de aproveitar a mudança de comportamento do brasileiro em relação à mobilidade urbana, a startup Grin viu no país uma oportunidade de expandir os negócios na América Latina. Recentemente, Grin e Yellow anunciaram uma fusão e prometem dominar o mercado nos países latino-americanos.

Investidores acompanham mercado aquecido

As aceleradoras e investidoras surgem como um termômetro do mercado de startups do Brasil. E parece que o mercado está realmente quente — números mostram que o país abriga cerca de um quinto de todas as aceleradoras do mundo. A maioria das aceleradoras fica no sudeste (71%) e foram mais de R$51 milhões aportados em cerca de 1,3 mil startups.

Além das tradicionais aceleradoras e incubadoras, há novos modelos de negócio surgindo para aportar as startups — e a Garín é a responsável por um desses negócios, com o modelo de venture capital com blockchain, que transforma as ações investidas (por diferentes tipos de pessoas) em tokens. A inovação, que deve estar disponível em breve, promete liquidez e uma análise criteriosa das startups participantes para minimizar riscos.

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